domingo, 9 de agosto de 2020

DIÁLOGO: SOBRE MUDANÇAS!




                                 Primeiramente, preciso compartilhar que este texto está no rascunho há mais de um mês. Lia, relia e ele me parecia superficial em sua junção de fragmentos de lembranças e leituras que carrego comigo. Não era possível publicá-lo, pois as palavras estavam a me cobrar suas verdades, valiosa e inesperada lição neste ofício da escrita!
                      Era uma necessidade de mudança, batendo à minha porta, em sincronicidade com o tema escolhido. Comecei a pensar sobre o assunto e ao mesmo tempo vivenciar um desafio ligado  ao meu processo pessoal de autoconhecimento,  o que me  ajudou a organizar  melhor sentimentos, pensamentos e ideias sobre esta experiência que embora faça parte do cotidiano e permeie todas as fases da vida, em algum momento pode nos levar a um desconfortável impasse,  fácil de reconhecer quando sentimos aquele incômodo em situações de estagnação e o medo de viver algo diferente.
                             Então, às voltas com meu desafio, me ocorreu ou  relembrei,  que as alterações nos níveis  externos  e aparentes como comportamentos, imagem pessoal ou hábitos embora sejam  mais rápidas e simples de serem realizadas, não se sustentam sem uma mudança interna seja no âmbito dos pensamentos, crenças ou sentimentos.   
              Outro  ponto importante a ser destacado, é que mudanças  despertam emoções,  nem sempre óbvias, pois muitas vezes temos dificuldades para nomear os sentimentos e fomos ensinados a nos mantermos fortes e equilibrados às custas do esforço para segurar o  choro e esquecer o medo.  
                          Descompasso ou conflitos entre nossa realidade interna e a realidade externa não são raros e podem ser resultado de dificuldades para lidar com as emoções de um lado, e de outro lado o fato que vez ou outra, cada um de nós é solicitado a olhar para algo diferente seja no corpo, na família,  círculo de amizades, em casa, no trabalho, na natureza, na cidade, no país....esta lista pode se tornar imensa,  indubitáveis solicitações que demandam recursos adaptativos.  
                 É certo que cada pessoa reage de acordo com suas possibilidades e recursos internos ao se deparar com o surgimento dos primeiros sinais que uma mudança se anuncia passando por sua assimilação, aceitação, efetivação e concretização, todavia é inevitável a presença, ainda que por pouco tempo, de  sentimentos de perda, medo ou mesmo a negação que algo mudou. 
                         O risco de ficar preso nesta etapa é seguir rancoroso ou amargurado com as perdas. Por outro lado, aceitar que algo mudou, acolher o  medo e empreender estratégias para viver algo diferente pode ser o início de uma renovação trazendo cura, crescimento e  sentimento de gratidão. 
                         A vida nos apresenta todos os dias sutis mudanças e de tempos em tempos grandes mudanças, até que em determinado momento chegamos às transformações. Ninguém consegue ignorar uma transformação e quando instalada,  de alguma forma atingem nossa realidade exterior.  
                                Algumas vezes me questionei sobre o quanto podemos transformar nossa realidade comunitária, agora entendo que o processo é natural e desde que estejamos realmente comprometidos com nosso processo de desenvolvimento pessoal  ainda que não seja possível maiores transformações no ambiente comunitário, no mínimo contribuiremos com a esperança e inspiração para quem estiver vivendo entre a estagnação e o medo.  
             Para iniciar sua própria reflexão, é interessante responder a si mesmo: Qual seu primeiro sentimento quando percebe que uma mudança se anuncia? Qual sua primeira reação ao perceber que algo mudou? Como recebe o Novo em sua vida?   
                    Se, durante sua reflexão perceber que está nas áreas de conflito, medo, paralisação ou dificuldade para perceber os ganhos e possibilidades de crescimento nas mudanças  que  vivenciou ou que terá que vivenciar, lembre-se que está em processo de mudança e transformação desde o seu nascimento e que algo em seu interior permanece imutável, contudo acumula experiência e sabedoria se expandindo com o passar do tempo à medida que aceita e passa a apreciar o Novo em sua Vida !    




                       

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quarta-feira, 17 de junho de 2020

VIVER O TEMPO PRESENTE EM PLENITUDE, VOCE CONSEGUE?

    
            Na semana passada, uma criança de nove anos me contou que gostaria de ter dezenove anos. E, para minha surpresa descreveu sonhos, planos e ideias com riqueza de detalhes, inclusive o planejamento que fez,  daquilo que viverá daqui há 10 anos.
            Perguntei-lhe quando deixou de prestar atenção à sua vida no momento presente e passou a se dedicar ao planejamento da próxima década e a resposta foi de uma lucidez espantosa. Disse que isto aconteceu quando percebeu que em sua vida não tinha diversão e que sua experiência escolar apresentava desafios maiores do que aqueles que podia solucionar.
            Os dois parágrafos acima, me parecem suficientes para fornecer uma ótima introdução aos problemas em torno deste complexo tema que é foco de estudos na Filosofia, Artes, Psicologia, Religiões... E, tanto no Ocidente quanto no Oriente os indivíduos e as populações vivem ávidos em busca de informações e "fórmulas" para ficar mais tempo no momento presente.               

          No entanto, para os objetivos deste texto, os dois primeiros parágrafos trazem inspiração e oportunidade para refletir sobre como e porquê deixamos de prestar atenção em nossa vida no exato momento em que a estamos vivendo?
            Para a criança acima, em sua resposta está uma direção, que seria trazermos a diversão que falta e devolvermos a qualidade das atividades e o preenchimento de seus dias para que chegue em sua próxima década com as memórias do prazer e  da alegria da infância. Estas memórias serão muito importantes para uma fase adulta com esperança e força interior.
            Para os adultos que somos, frutos de nossa época com tanta sobrecarga, tensões, pensamento acelerado, corpos exaustos sempre em movimento, mentes ansiosas, incertezas e medos fortalecidos pela desordem social e econômica, nossas respostas também podem nos trazer direções.
          No entanto, posso adiantar que antes de seguir em qualquer direção, é preciso fazer uma parada para sentir, compreender e ouvir nosso próprio corpo. Nele habitam as emoções, sentimentos e memórias das dores e alegrias que  vivemos, e ao cuidarmos dele o retorno será mais leveza e saúde para as próximas décadas.
            Outra coisa que aprendi nesta jornada com os pacientes, é que envelhecemos como vivemos! E, se para aquela criança, as memórias farão parte de sua estrutura para ser um adulto esperançoso e forte, para nós um corpo mais flexível e uma mente tranquila serão nossa base para uma velhice com integridade e sabedoria. 
          Portanto, o problema não é o tempo presente, que chega sempre embalado de luz, sons e movimento! Então, por exclusão o problema se encontra em nós que não sabemos abrir o pacote,  não sabemos brincar com o presente e nem mesmo sabemos que estamos numa festa.
           A boa notícia é que para todo problema, existe no mínimo uma solução. E, se para aquela criança, o desafio é encontrar sua "brincadeira" preferida, descobrir sua aptidão, ritmo e os "amiguinhos" certos para compartilhar a diversão.                  
            Para os adultos que somos, o desafio é encontrar o prazer numa atividade profissional, descobrir e respeitar nosso ritmo,  compartilhar nossas afinidades, alegrias e esperanças com nossos pares, amigos e familiares.
                        



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quinta-feira, 4 de junho de 2020

SOBRECARGA, FADIGA, DESÂNIMO, E AGORA?


            Em alguns momentos, nos deparamos com uma clara realidade, em  que  de um lado temos as exigências da vida, principalmente nos âmbitos profissional e familiar, e do outro lado temos nossa própria condição pessoal e orgânica, em que não é possível o cumprimento de todas as tarefas que se apresentam em nossa rotina.
         Simples seria, se todos pudessem realizar seus sonhos, projetos e ideias de acordo com seu próprio ritmo e se após cada projeto realizado houvesse uma pausa para reorganizar as prioridades.
            No entanto , a vida tem sua complexidade e o fato é que na fase adulta, ficamos um longo período muito atuantes, vigorosos e produtivos. E na ânsia de realização de nossos projetos, nos cobramos alta eficácia,  temos elevada autoexigência e muitas vezes grande desejo de agradar aos outros.
             Neste contexto, mais cedo ou mais tarde ocorrerá a diminuição gradual no ritmo da  atividade física e mental, acompanhada de queda no desempenho  dos afazeres. No início, esta diminuição de ritmo passa desapercebida e durante algum tempo, nos desdobramos para cumprir todas as nossas atribuições.
            O preço que pagamos por esse desdobramento, começa a se manifestar nos primeiros sinais de dificuldades para cumprir uma  jornada de trabalho, em razão de desânimo, desatenção, cansaço, tédio, irritabilidade e estados de fadiga.
        No meio familiar, também manifestamos dificuldades emocionais relacionadas à insegurança, ansiedade, oscilação de humor, solidão, crises e conflitos relacionais.
          Sempre é tempo de reavaliar os rumos de nossas vidas, considerar nossas inquietações,  analisar frustrações, valorizar nossas conquistas e também buscar novos horizontes.
            Uma grande mudança, começa de algum ponto. Neste caso, um bom começo é olhar para a própria vida como um todo em que é preciso equilíbrio em sete áreas:
- Familiar;
- Profissional;
- Pessoal;
- Espiritual
- Social;
- Finanças;
- Lazer;
            Cada área necessita de atenção, ação e cuidados o tempo todo, mas não como uma obrigação e sim como possibilidade de expressão, pertencimento e crescimento em que nos nutrimos, preenchemos e alcançamos o verdadeiro sentido de uma vida gratificante.
           


SUPERAR A EXAUSTÃO E RECUPERAR O BEM-ESTAR, É POSSÍVEL?

        Tantas vezes refletimos sobre o que vivemos, nossas escolhas, nossos sonhos, nossos desejos, nossas responsabilidades .... E ao ...